NO ANO DA REFORMA SOMOS VASOS NAS MÃOS DO OLEIRO!

(Jr 18.1 -6)

 

O contexto desse texto bíblico é o de advertência e de uma reforma radical. Deus está advertindo Seu povo para o fato de que a desobediência atrai a Sua ira e a obediência atrai o Seu favor. Assim, se um povo, para o qual a ira de Deus está dirigida, se arrepender e se converter da sua maldade, também o Senhor se arrependerá do “mal que pensava fazer-lhe”. Porém, se o povo para o qual o favor de Deus estiver dirigido, não der ouvidos à Sua voz, Ele se arrependerá “do bem que houvera dito lhe faria”.

Por isso o Senhor leva o profeta a observar o oleiro fabricando o seu vaso de barro, que, por não ter ficado bom, necessita ser refeito, numa alusão à mudança de vida necessária para que o povo agrade ao Senhor. Mas há um outro aspecto, que também precisamos abordar: a olaria. Porque é exatamente na olaria que a reforma do vaso acontece. Precisamos entender o que representam aquelas figuras da olaria nos projetos de Deus.

 

A OLARIA DE DEUS

Há vários aspectos a considerar:

 

1- O OLEIRO:

Segundo o texto bíblico o próprio Senhor se identificou como o oleiro “entregue à sua obra”. Essa é a figura do oleiro que está trabalhando na construção de vasos de barro e que, certamente, tem uma visão e um projeto específico para cada um de seus vasos.

Vê-se claramente que esse Oleiro não Se dá por satisfeito com vasos de qualquer jeito. Ou o vaso sai como deve ser ou terá de ser refeito. Nosso Deus é um Oleiro muito exigente e tão Perfeito na Sua obra, que não tem dificuldade alguma para recomeçar a formação de um vaso sempre que for necessário. Aleluia! Isso é reforma!

 

2- O BARRO:

O barro é a materia prima do vaso. Nós somos o barro e o Senhor é o Oleiro, ou seja, Aquele que põe as mãos no barro para formar os vasos que Ele idealizou. Lidar com o barro é lidar com algo pegajoso, grudento, que causa repulsa e dá a impressão de falta de limpeza ou higiene.

Muitos de nós temos dificuldade para lidar com o barro, pois não o achamos limpo, há risco de adquirirmos doenças, fala de sujeira, de algo que não é agradável de manusear. Ninguém, de “bom senso”, teria prazer em manusear o barro. Mas o nosso Oleiro não pensa nem age assim. Ele tem experiência com o barro e sabe fazer grandes obras com ele. Desde a criação do homem que Ele lida com o barro (Gn 2.7).

Nós é que nos surpreendemos quando nos vemos como o insignificante barro ou quando vemos a insignificância do barro de que os outros são feitos. Nós é que temos dificuldade de lidar com o barro até que aquele bolo de lama se torne algo digno de ser usado e apreciado. Somos muito escrupulosos para lidarmos com o barro e, via de regra, o deixamos de lado sempre que temos a necessidade de trabalhar com ele até que se torne vaso útil. Temos dificuldade de lidar com os torrões do barro, isto é, com aquelas “coisas” empedradas que dificultam o manuseio da massa e a confecção de bons vasos, como as fragilidades, os pecados, as feridas e traumas emocionais.

 

3- A AMASSADEIRA:

Em toda oficina de oleiro tem a amassadeira, que é um recipiente onde o barro é colocado para ser molhado com água e amassado até chegar no ponto de poder ser moldado. Em alguns casos, o barro bruto é primeiramente socado e pisado até que os torrões de terra maiores e mais resistentes sejam quebrados; depois, com as mãos, o oleiro vai destruindo os torrões menores, esfarelando-os um a um.

A amassadeira não é um lugar muito agradavel de se trabalhar, nem bonito de se ver, porque ali se pisa no barro ou se coloca a mão nele, e o aspecto daquela caixa de madeira é de lama e sujeira. No entanto, nenhum oleiro pode dispensar a amassadeira se quiser fazer um bom vaso; logo, para que se tenha um bom vaso, ela é extremamente necessária. Não há bom vaso sem amassadeira, porque é nela que os torrões, grandes ou pequenos, que atrapalham a obra são removidos e é também lá que o barro chega no ponto de ser usado pelo oleiro.

Muitos de nós queremos ser vasos moldados e usados por Deus, mas não queremos passar pela amassadeira de Deus. Precisamos entender que o primeiro passo na formação de um vaso é ser barro nas mãos do Oleiro e o segundo passo é entrar na amassadeira de Deus. Com torrões, grandes ou pequenos, o resultado da obra fica comprometido e nosso Oleiro sabe disso. É por isso que às vezes Deus precisa que sejamos “moidos e esmigalhados” para darmos boa obra em Suas mãos. São muitos os meios que Deus usa para nos moer: dificuldades, circunstâncias adversas, pedidos não respondidos, humilhações, certos fracassos e derrotas, portas fechadas, caminhos obstruidos etc.

 

4- A ÁGUA:

Há algo mais que precisamos aprender em relação à oficina do oleiro: em todas as amassadeiras o oleiro usa água para amolecer o barro, facilitar a destruição dos torrões e dar a “liga” necessária para a confecção do vaso. Eis uma figura maravilhosa do Espírito Santo no processo da confecção dos vasos de Deus. Sem Ele a amassadeira se torna inviável e jamais o barro poderá ser moldado.

Através dEle os torrões da nossa vida, que tanto atrapalham a obra de Deus em nós, podem ser facilmente esfarelados e destruidos, liberando-nos para darmos boa “liga” e nos amoldarmos às mãos santas e sábias do Oleiro. É quando as águas do Espírito nos encharcam que oferecemos menos resistência e nos tornamos mais moldáveis nas mãos do Senhor. Precisamos ser mais sensíveis à ação do Espírito Santo, para que cheguemos a ser os vasos que o Oleiro quer que Sejamos.

 

5- A RODA DO OLEIRO:

A roda é a mesa de trabalho do oleiro. Nela o oleiro coloca a massa de barro moldável para formar um vaso. Em cima dela está as mãos do oleiro e embaixo dela estão os seus pés; com as mãos ele molda o vaso e com os pés ele movimenta a roda. Ela tem o movimento de rotação, que pode ser para a direita ou para a esquerda e com velocidades variáveis, segundo a necessidade e a vontade do oleiro.

É na roda que o oleiro dá forma ao vaso, fazendo a massa de barro girar com a roda, enquanto ele coloca suas mãos na massa (uma por fora, outra por dentro), com extrema sensibilidade, para moldar e também para perceber os prováveis torrões, agora pequenos e quase imperceptíveis. Havendo torrões percebidos, ele para a roda e vai tirá-los do meio da massa para depois prosseguir na modelagem. Assim é o nosso Deus, o Oleiro que para o movimento da roda toda vez que precisa limpar a massa, isto é, tirar tudo o que possa impedi-lO de realizar boa obra em nós!

A roda do Oleiro representa o nosso caminhar com Ele. Enquanto caminhamos na presença dEle, Ele vai nos conduzindo e moldando, e limpando de todo “torrão” impeditivo da boa obra. É por isso que às vezes somos literalmente “parados” por Deus quando, aos nossos olhos, estávamos “indo tão bem”. Muitas vezes não entendemos os processos de Deus e ficamos a perguntar: Por que paramos? Por que mudar de ritmo agora? Por que mudar de direção quando tudo vai bem? Por que as coisas travaram? É possível que seja o Oleiro trabalhando em nossas vidas para fazer de nós vasos segundo o Seu propósito eterno.

 

6- O FORNO:

A fornalha do oleiro é uma das fases fundamentais no processo de formação de um vaso. É no forno que o vaso sustentará a forma que o oleiro lhe moldou e a consistência correta para ser vaso. Se não passar pelo fogo o vaso não se prestará para funcionar como um vaso, porque além de reter o que nele é colocado, precisa se deixar manusear para verter o que precisa ser derramado. Vaso que não passa pelo fogo perde a forma e não funciona!

Deus tem suas fornalhas para nos enrijecer e nos tornar vasos úteis para a Sua obra. As circunstâncias adversas, as críticas desagradáveis, os elogios, as perdas, enfim, tudo aquilo que possa mexer com nossa essência, positiva ou negativamente, pode representar algum tipo de fornalha de Deus em nossas vidas. Por meio delas é que o Senhor consolida nossa “consistência”, nossa “forma” e nossa “funcionalidade”. Quem passa pela fornalha de Deus, e não perde a forma, se torna vaso útil nas Suas mãos.

Como toda olaria tem a sua fornalha, também o fogo de Deus faz parte do processo de formação dos vasos de Deus. Resistir ao fogo de Deus, ou se posicionar erradamente dentro dele, é rejeitar o processo de formação de Deus e comprometer a consistência, forma e funcionalidade do vaso. É pelo fogo que o vaso será provado: na olaria comum, se perder a forma ou se trincar, será declarado inútil e descartado, mas na olaria de Deus, voltará para a amassadeira, onde será novamente amassado, moido e, encharcado pelas águas do Espírito, se tornará moldável, retornará à roda e reiniciará o processo, até que se torne vaso útil nas mãos de Deus. Deus é Oleiro Perfeito que jamais desiste de fazer de nós vasos úteis, para honra.

 

7- A PRATELEIRA:

Depois do vaso pronto, via de regra, ele não vai logo para o uso. Em geral, o vaso pronto vai para a prateleira, onde aguardará o momento de ser usado. Quando há uma necessidade, o oleiro vai à sua prateleira para escolher o vaso que ele quer usar.

Deus, o Oleiro Perfeito, também tem as Suas prateleiras para colocar os Seus vasos. Essa fase da produção não é muito agradavel para a maioria dos vasos. Pois reflete que é necessário o tempo de espera para ser usado pelo Oleiro. Todos os vasos querem ser logo usados pelo Oleiro, afinal, já estão prontos! Mas o vaso não tem escolha! Quem decide quem, quando e para quê vai ser usado o vaso é o Oleiro! É o Oleiro quem escolhe o vaso e decide o momento de usá-lo. Para o Oleiro, cada vaso tem um propósito para existir e é Ele quem determina isto, porque foi Ele quem o formou.

O tempo da espera nem sempre é facil, é tempo de confronto, é tempo de submissão e obediência. É nos tempos da prateleira que os vasos são amadurecidos e consolidados na essência de servir. Só os vasos realmente servos do Oleiro se aquietam na prateleira, porque sabem que a sua existência e serviço só teem sentido nas mãos do Oleiro. É na prateleira que o vaso aprende a se submeter à vontade de Deus!

 

No amor do Senhor da reforma.

 

                                   Aps Aurelio Jesus Santos e Susana M. B. Santos.

 

PERGUNTAS PARA A REFLEXÃO CELULAR:

1- Você se considera vaso nas mãos de Deus?

2- Deus tem podido retirar torrões de sua “vida”?

3- Qual a fase do processo descrito na pastoral que mais lhe causa incômodo?

4- Como você se comporta quando entra nessa fase?

5- O que você fará, a partir de agora, em relação ao processo divino de fazer de você um vaso de honra?

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