DEUS QUER ACERTAR O NOSSO PASSO E NOS AMADURECER!

(Gn 32.22-31)

 

                Esta é uma passagem muito significativa para quem quer andar em unidade e com maturidade. Jacó estava indo da casa de seu tio Labão, irmão de sua mãe e pai de suas duas mulheres (Lia e Raquel), para a terra de seus pais (Isaque e Rebeca) e, às margens do rio Jaboque, tem uma das mais fortes experiências da sua vida.

                Jacó significa usurpador, trapaceiro – uma espécie de mau-caráter, uma pessoa hábil em arrumar as coisas em seu próprio benefício, centrada no EU, nos seus próprios interesses. Jacó foi tremendamente oprimido por Labão que, em muitos momentos, se mostrou mais usurpador do que ele! No vau do Jaboque, aquela luta corporal não o marcou só no físico, mas deixou marcas profundas na sua alma e na sua vida espiritual, fazendo dele um novo homem: Israel, que significa “Príncipe com Deus”, “Ele luta com Deus”!

                A verdade é que todos nós, numa certa medida, temos nosso lado “Jacó”, centrado no ego, na vaidade, nos interesses pessoais, na trapaça, na mentira e na defraudação, inclusive de familiares, irmãos e líderes. E hoje, o Senhor nos desafia a entrarmos com Ele numa luta pessoal de alto nível, para a mudança da nossa identidade, nosso caráter, nosso caminhar e nossa história.

                Creia que assim como fez com Jacó, o Senhor quer nos deixar marcas inconfundíveis de mudança pessoal, que se reflitam no contexto em que vivemos. Muitos de nós, no curso da nossa história, fomos verdadeiros “jacós” no casamento, na família, no trabalho, na escola, na igreja etc. Agimos de forma errada, egoísta, defraudadora e trapaceira. Deixamos atrás de nós um rastro de iras, decepções, mágoas, feridas e vingança. É por isso que no processo de nos abençoar, Deus nos aponta um passado turvo e cheio de erros, que precisa ser corrigido. Fez assim com Jacó, quando o manda retornar à terra dos seus pais, porque foi lá que a identidade de Jacó foi consolidada e manifesta (Gn 31.3: “E disse o Senhor a Jacó: Torna à terra de teus pais e à tua parentela; e eu serei contigo”).

                O retorno não é facil, porque é um caminho de sensibilidades afloradas e consciência confrontada. Entretanto, Deus quer que tenhamos a dimensão exata de quem somos e o que precisa ser acertado em nós, para sermos o que Ele quer que sejamos! Deus quer que no casamento, na família, na igreja e em onde mais estivermos, todos possam testificar que nós somos outras pessoas, transformadas pelo poder de Deus, que lutamos com Deus pela nossa vitória e fomos abençoados!

 

O QUE REPRESENTA O VAU DO JABOQUE HOJE?      

                Representa o lugar da nossa luta pessoal com Deus pela mudança da nossa história, que começa com a mudança da nossa identidade, do nosso caráter. Jacó tinha atrás de si um rastro de trapaça e usurpação, mas como ele estava debaixo da promessa de Abraão de ser próspero e de ser pai de multidões, Deus precisaria acertar sua vida e sua história, para que ele fosse estabelecido na promessa.

                Jacó precisava voltar às origens, à casa dos pais, onde tudo de ruim começou na sua vida. No caminho do retorno à casa paterna, Deus propiciou um lugar para Jacó ser confrontado e tratado – o vau do Jaboque. Num certo sentido todos nós precisamos do nosso vau do Jaboque – o lugar da nossa experiência pessoal e transformadora com Deus. Seu vau do Jaboque pode ser qualquer lugar onde se trave a sua luta com Deus pela mudança da sua identidade.

 

NO VAU DO JABOQUE LUTAMOS COM DEUS POR UMA NOVA IDENTIDADE:

                Jacó, ao sair do vau de Jaboque, tinha, no próprio físico, a marca de que fora tocado pelo poder de Deus e de que sua vida jamais seria a mesma. Por onde Israel passava todos verificavam que algo diferente havia naquele homem. Deus quer fazer assim conosco: deixar em nós uma nova aparência, como marco de uma nova identidade.

                Para muitos, Jacó havia sido deformado e tinha uma grande limitação física, mas para ele e para Deus, surgiu não um deformado, mas um novo homem, que agora passaria a trilhar o caminho da retidão. O vau do Jaboque não é o lugar do castigo de Deus, nem de produzir deformados, mas o lugar onde os discípulos são tocados pelo poder de Deus e conformados aos Seus propósitos.

                Aquela marca não significava o castigo de Deus para Jacó, mas o selo da sua reconciliação com Deus e da sua nova identidade. Todos que o vissem daquele momento em diante, saberiam que se tratava de um novo homem – Israel. Porque Jacó não tem as marcas de Israel!

                Agora, não poderia mais ser visto como trapaceiro, mas como Israel, Príncipe com Deus, um homem quebrado nas suas estruturas humanas e conhecedor de suas limitações e fragilidades. Ao olharem para ele, manquejando, quebrantado e limitado nos passos humanos, todos veriam que não era mais Jacó, mas um novo homem, Israel, capaz de reconhecer a superioridade dos outros e a necessidade de se humilhar diante de seus adversários, ao ponto de vê-los convertidos em amigos. Só alguém tocado por Deus volta humildemente ao seu passado e pode ver os inimigos serem convertidos em amigos.

 

COM A NOVA IDENTIDADE, NOSSO CAMINHO E NOSSA POSTURA SÃO MUDADOS:

                Jacó, a partir daquele episódio, tornou-se um novo homem para Deus – tornou-se Israel. Não caminharia mais como um usurpador e trapaceiro, mas, com uma nova identidade, caminharia como um nobre, como um Príncipe com Deus. No vau do Jaboque Deus gera em nós uma nova identidade, o que vai afetar o nosso caminhar e a nossa postura em todas as áreas da nossa vida.

 

a) COM A NOVA IDENTIDADE ENTRAMOS NO CAMINHO DA RECONCILIAÇÃO E DA RESTITUIÇÃO (leia Gn 33.1-11).

                Primeiro experimentamos o resultado da nossa reconciliação com Deus (Gn 32.30b: “Vi Deus face a face, e a minha vida foi salva”). Depois, nossa consciência é sensibilizada pelo Espírito Santo, levando-nos a assumir nova postura em relação aos nossos relacionamentos com os outros.

                O Senhor gera em nós arrependimento, quebrantamento e humilhação, que nos levam aos caminhos da reconciliação e da restituição. Com a nova identidade, como Príncipe com Deus, o Senhor nos dá a humildade e o quebrantamento necessários para que nossos “inimigos mortais” sejam convertidos em amigos!

 

b) COM A NOVA IDENTIDADE MUDAMOS NOSSA POSTURA E NOSSO CAMINHAR EM FAMÍLIA (leia Gn 33.12-14).

                Uma pessoa como Jacó, via de regra, negocia a própria família com o mundo e até com o diabo, em função de seus interesses pessoais e suas prioridades erradas. Muitos trocam o cuidado familiar pelo cuidado ministerial, profissional, desejos pessoais etc. Há quem deixe de consolidar o casamento e os filhos, por aplicar seu tempo em agendas distorcidas, pautadas por preferências erradas, sem otimizarem um tempo de qualidade com sua família – a célula principal. Muitos forçam a família a andar no seu ritmo acelerado ou descompassado, estressando, decepcionando e ferindo seus familiares. Há até os que saem a celebrar vitórias pessoais, mas longe da família. Todos denotam uma mentalidade distorcida, uma identidade pouco ou nada alinhada com os princípios do Reino de Deus.

                Entretanto, com a nova identidade, somos levados a assumir nova postura quanto à família, ao casamento, aos filhos e aos pais, respeitando seus limites e buscando caminhar em unidade e de forma madura, protegendo uns aos outros, principalmente os mais novos e frágeis. Ao sairmos do nosso vau do Jaboque, o Senhor acerta nosso passo, amadurecemos e a nossa casa recebe uma nova pessoa, transformada em seus conceitos e paradigmas, comprometida em consolidar os seus de forma segura e debaixo da direção de Deus.

                Hoje o Senhor convida você para estar com Ele no seu “vau do Jaboque”, o lugar do confronto e das marcas profundas no seu caráter, na sua identidade. É tempo de novas posturas e novo caminhar não só em relação a Ele, mas também em relação à família e às outras pessoas, inclusive em relação aos “adversários mortais”, com os quais Ele quer nos reconciliar e, para tal, nos dará estratégias tremendas. Só precisamos ir para o lugar do confronto e nos deixarmos marcar pelo Deus Todo-Poderoso, porque sairemos de lá transformados para a glória de Deus.

 

                No amor do Senhor da Unidade e da Maturidade.

 

                                               Aps Aurelio Jesus Santos e Susana M. B. Santos.

 

 

PERGUNTAS PARA A REFLEXÃO CELULAR:

  1. Em seu carater há mais de Jacó ou de Israel?

  2. Quais características de Jacó precisam sair de sua vida para viver a nova identidade, conforme a pastoral?

  3. O que você efetivamente fará, a partir de agora, para receber a identidade projetada por Deus para você?

 

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